16 junho 2007

Killer apps, parte I: por que o PC deu certo?

Nem sempre o computador foi uma máquina para ser usada por pessoas comuns, gente que queria apenas fazer um trabalho da escola, fazer uma planilha de finanças pessoais ou mesmo jogar um gamezinho. Antigamente essa máquina era usada apenas por grande corporações como bancos e grandes universidades. Os computadores desse tempo eram verdadeiras geladeiras, mais conhecidos como mainframes, e esse mercado era dominado pela nossa amiga IBM.

Algumas décadas atrás o computador como conhecemos hoje não existia, esse negócio de teclado e mouse, nem passava pela cabeça dos gigantes da época como IBM. A idéia do PC (personal computer) estava muito longe das empresas gigantes e lentas como IBM, entre outras. Para ilustrar essa falta de visão, podemos citar o descaso que a Xerox teve em relação às inovações desenvolvidas no seu laboratório PARC, lá foram desenvolvidos invenções como a interface gráfica e o mouse (sim, eles realmente cagaram para essas invenções revolucionárias! Nas palavras de um dos executivos da Xerox: "Como vamos vender algo que se chama 'mouse'?! ").

Quando o primeiro computador pessoal foi inventado pela MITS, o Altair 8800, ele era uma máquina que realmente não servia para nada, uma máquina que servia para pura adoração e curiosidade de geeks. Depois veio o Apple I, que ainda não tinha realmente uma aplicação e valor de verdade, sendo produzidos um número por volta de apenas 200 unidades. Finalmente veio o Apple II, esse agregou valor de verdade, mas por que? Por causa de um carinha chamado Dan Brincklin e o seu software, o VisiCalc, a primeira planilha eletrônica a ser inventada. Esse software foi a Killer Application do Apple II. Antes dele, o Apple II ainda era uma máquina para hobistas, objeto de curiosidade, mas depois do advento do VisiCalc, o Apple II se tornou algo de valor, algo que valeria a pena comprar simplesmente pelo fato de ele podar rodar o VisiCalc em cima dele. Era aí que eu queria chegar, no conceito de Killer Apps. O que é uma Killer Application então? Algo tão valioso, que é tão necessário de se ter ou usar, que você acaba comprando ou usando as tecnologias que tem "embaixo" dessa killer app apenas para poder usar a killer app em si.

Ok, mas por que toda essa aula de historia do PC? Simplesmente para fazer uma introdução de killer apps para poder falar do que realmente importa hoje, a web!!! Em especial a web 2.0. Já sabemos o porquê a plataforma PC deu certo, devido a diversas Killer Apps (planilha eletrônica, editor de texto, editor de imagens, jogos, etc) que alavancaram suas vendas e assim foi criado o gigante mercado do computador pessoal. O valor não estava na plataforma em si (o computador, o hardware) e sim nas killer apps (o software). Devido a perceber essa troca de valores, o titio Bill Gates se deu MUITO bem, já o amigo Steve Jobs não se deu tão bem assim (leia depois sobre como o Steve Jobs não soube dar valor ao NextStep, o sistema operacional do seu computador Next)

Legal, agora vamos finalmente falar de web. Qual foi a primeira killer app da internet? O e-mail, e depois? A web em si! A invenção da World Wide Web pelo nosso amigo Tim Berners Lee. Ok, desde então, Tim sempre foi questionado sobre qual seria a evolução da web. Em uma entrevista no livro de Redes de Computadores e a Internet, ele então falou: "Como disse em meu livro, tenho um sonho para a web... e esse sonho tem duas partes. Na primeira espero que a web se torne um meio muito mais poderoso de colaboração entre pessoas. (...) Na segunda parte do sonho, as colaborações estendem-se a computadores, com as máquinas capacitadas a analisar todos os dados da Web (...) ainda está para surgir uma "Web Semântica". Legal o sonho do Tim né? Mais legal ainda é saber que já estamos vivendo a primeira parte do sonho dele na prática, e essa primeira parte se chama Web 2.0 (o homem tem costume de dar nome a tudo né?)

A Web 2.0 nada mais é do que o uso correto da Web, enxergar a Web como plataforma e entender as regras para o sucesso nessa nova plataforma. A web 2.0 é sobre colaboração e compartilhamento e criar meios para que isso seja possível. A web 2.0 é entender que os dados são o novo Intel Inside do século XXI. Mas como toda plataforma, ela não sobrevive sozinha, ela precisa de killer apps para sobreviver e mostrar que tem valor. O google já sacou isso, e você, já sacou?

Chegamos ao acorde final desse post. A web 2.0 precisar de killer apps, correto? Quais são ou serão essas novas killer apps? Como seria uma killer app dessa web 2.0? Um google, um youtube, um last.fm?

A parte II desse post é sobre isso: KILLER APPS na Web 2.0 (ou sua inexistência...)

keep your eyes open



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2 comentários:

Anônimo disse...

A Web Semântica já está surgindo. Veja esta tecnologia.

Just Ale disse...

Hugo, adorei seu texto!
Amiga, Altair... Lembrou minha faculdade de Ciências da Computação. :D. Sou fissurada no Tim-Bernes Lee e também adoro ler sobre web 2.0. Acho que você conseguiu explicar de forma objetiva e didática o que realmente é a web 2.0. :) Parabéns!

 
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